Oz Pindorama: mausoléu do Norte
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| Fonte: Pinterest |
A história do povo de Oz Pindorama já é conhecida por todos, de como encantados pelo novo, na onda high tech se robotizaram, deixaram de ser na busca do ter, deixaram de bem viver.
Antes dos caminhos do valente Leão, do sabido Espantalho e do caloroso Seu Lata se cruzarem na estrada de ladrilhos amarelos e deles perderem seus bens mais importantes a ousadia, a capacidade de pensar, criar e sentir.
Eles se encontraram em um outro local, na escola. Apesar de ser um local simples, quadro-negro, giz, era um espaço de pensar, trocar, criar e pensar. A biblioteca e sala de TV era o segundo local mais desejado, lá eles viajavam, sem sair do lugar. Estes espaços só perdiam para o pátio de tamanha empolgação. Lá até tinha uma sala de informática, mas não funcionava.
Mas tudo isso mudou, quando o povo do Norte chegou, colocaram uma série de proibições, separou os amigos, fazendo uma sala com as crianças espantalhos, outra com crianças de latas, para crianças humanas e assim também separou salas para cada espécie de leões, cavalos, lobos, cada um tinha suas salas com seus pares iguais. Deixaram de trocar saberes e aprender uns com os outros.
Na escola não se contavam mais as histórias da origem dos muitos povos Oz Pindorama, não se falava de justiça, política, de gênero e sexualidade, e até os livros da biblioteca que narravam sobre isso é todo o passado sumiram. A biblioteca saiu e deu espaço para uma sala de informática com os mais modernos computadores, lá as crianças pesquisavam, copiavam, decoravam as músicas, a língua, comida e as danças do Norte, pois somente assim poderiam se expressar e se comunicar, pouco a pouco foram esquecendo de si, de suas origens, tornaram-se iguais. Não se criava, inventava ou construía, não havia novidades, as crianças apenas consumiam e reproduziam a cultura do Norte.
Os mestres não podiam, mas educar, somente instruir, preparar as crianças para serem bons profissionais, os que não concordavam eram vistos como inimigos, alguns até eram presos nas catacumbas de Oz. As escolas foram esvaziando de alunos também, pois deixaram de ser gratuitas e muitos não podiam pagar.
Assim, o pequeno Espantalho, o Latinha e o Leãozinho não reconheciam a si, nem mais aos seus amigos diferentes deles, se perderam de si mesmos na escola e foram obrigados a deixar de ir, pois não podiam pagar. Contudo, não deixaram de estudar, os professores banidos da escola, passavam nas casas desses alunos com seus tablets, notebook ensinando sobre o Norte, mas também contando, rememorando e reconstruindo com eles as histórias da velha Oz e a sua cultura esquecida, e ajudaram as crianças a desenvolverem seus talentos, habilidades e cultivaram girassóis em seus corações.
O tempo passou, as crianças cresceram tornaram-se adultos, ainda com muitos limites, sem cérebro, coragem e coração. Porque há coisas que só no coletivo se supera e se constrói, mas eram diferentes das outras crianças, não tinham cabrestos, nem viseiras, eram pensantes, apesar de não serem os melhores profissionais do mercado, conheciam sobre o Norte, pois assim o mundo era organizado, mas dentro de si, cresciam sementes do Sul. Certo dia, inquietos pelas memórias eles saíram para caminhar, resgatar e reconstruir a história interrompida, até chegarem no caminho de pedra amarelos e começaram a trilhar e assim retornamos a história.
PRETTO, N. L. O desafio de educar na era digital: educações. Revista Portuguesa de Educação, vol. 24, núm. 1, p. 95-118. Universidade do Minho Braga. Portugal, 2011.
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Muito lindo Daniele! Fiquei emocionada com tua sensibilidade e capacidade de articular arte, literatura, ciência e cidadania. Primoroso!
ResponderExcluirObrigada pelas palavras, Bonni. Obrigada por tudo que me proporcionou.
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