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Mostrando postagens de abril, 2021

Terra Dividida

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O conhecimento sempre foi um objeto de desejo e também objeto de esperança para a sociedade, logo o livre acesso a ele é fundamental para pensarmos numa sociedade menos desigual e com menos clivagens sociais. Esta ideia sobre o poder do conhecimento foi a base do pensamento moderno que levou a sociedade para o século XX. Contudo, Boaventura Santos (2008) explana que a crença na ciência para o fim dos males sociais e para uma construção de nova e melhor sociedade é falaciosa. O equívoco desta ideia é a crença ingênua nas pessoas, ignorando que as relações de poder sempre nortearam todas as relações sociais, quem produz conhecimento detém um poderoso capital. Assim, o conhecimento tem sido usado para finalidades de grupos de interesses privados, beneficiando a poucos, gerando guerras, aumentando e não minimizando as desigualdades, como afirma Santos (2008, 2010), a produção do conhecimento está a serviço do capital e não para o bem da sociedade. Logo, é preciso pensar em outros lócus de ...

O que uma nação de fazendeiros tem a oferecer ao resto do mundo?

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              Visão panorâmica de Wakanda (© Marvel Studios, 2018) O contexto dessa frase racista que inicia este texto é uma das cenas finais do filme Pantera Negra, onde o rei T’Challa do país fictício, autônomo e futurista Wakanda,  situado na África  Oriental, faz uma fala num Congresso mundial e oferece a tecnologia de seu país superdesenvolvido, a fim de minimizar os males sociais que o mundo enfrentava. Então, um dos congressistas imbuído de uma visão reducionista da África, dirigiu-se ao rei e T’Challa e faz essa pergunta nociva. Ao se pensar no binômio de inclusão-exclusão o comum são políticas públicas compensatórias, serviços de assistência social, ações propostas de forma isolada, desarticuladas das outras políticas públicas e desconsiderando a complexidade das questões sociais vividas pelas comunidades que estão em condição de pobreza. A exclusão social assim é tratada de forma fragmentada e autônoma, sem se relacionar com os s...

Quem eu sou no jogo?

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Releitura do artista Kim Dong- Kyu.  É inerente aos seres humanos a necessidade por trocas sociais e também o lazer, o brincar, jogar, a ludicidade, isto é, a entrega total para uma vivência prazerosa, é uma demanda importante para o nosso desenvolvimento e bem-estar. Huizinga (2001) afirma que somos homo ludens, é inato a nós a necessidade de jogar, e esta prática nos acompanha desde os primórdios de nossa história, sendo elementar para o desenvolvimento da espécie. Como já cantava os Titãs, a gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão e arte. Diante dess a  nossa necessidade e do esgotamento que a sociedade brasileira passa por conta da pandemia do Covid-19, o desgoverno e as condições de saúde é natural e saudável que busquemos minimizar este pesar constante com o crescente número de óbitos, de flores que se vão. Assim, as mídias sociais vêm atender uma lacuna, e recorremos a TV, plataformas de streaming e as redes sociais como espaço de fuga, do nada, alguns d...

Flores ao Vento...

  Uma das poucas certezas que temos é da finitude da existência humana. A vida é breve, um sopro, por isso deveria ser mais valorizada, assim como as relações humanas. Contudo, ocorre o contrário as relações sociais têm sido construídas numa base fluída, porosa. Bauman (2001) descreve a sociedade atual como líquida, não se atendo muito a qualquer forma e estando constantemente pronta para mudar e assim as relações fluem, escorrem, esvaem-se e não são facilmente contidas. Desta forma, o sentido d a  vida mudou e vivemos um dos piores momentos da história moderna mundial, até o dia 7 de abril de 2021 no Brasil foram 341. 097 pessoas que partiram devido o Covid, uma triste estatística de mais de 4 mil óbitos por dia. Não são rostos anônimos, são pais e mães, filhos e filhas, avôs, netos, tios. É a professora, o vizinho, a enfermeira, é alguém importante para outro alguém. Vivemos uma pandemia muito cruel, que aparentemente nos atinge de forma igual, sem distinções, contudo de aco...

Guerreiras do Amanhã

Na distante ilha de Humaitá, no Reino de Nova Itapipoca, vivia uma jovem menina, doce guerreira, apesar dela ainda não saber disso. Esta menina comum tinha um dom, ela era capaz de ver no escuro e de sonhar com o passado e o futuro. Tinha pele preta bem retinta que o sol deixava mais brilhante e olhos radiantes como estrelas. Lindos cabelos crespos, sempre tinha um novo penteado por ora trançados até a cintura e ela amava desfilar e se amostrar. Ainoã era uma garot a  alegre, mas com os acontecimentos da vila andava triste e pensativa, sua mãe D. Ana era pescadora e marisqueira, seu pai Seu João tinha sido maquinista toda vida. Sim, nesta pequena ilha tinha uma linha de trem que cruzava o oceano para o continente. Mas a modernidade chegou, os antigos, mas funcionais trens pararam de rodar. Ela não entendeu direito, mas parece que iriam colocar um novo trem mais rápido e bonito no lugar. Sua família, junto a outras foram protestar, mas não adiantou muito, os soldados do Reino soltar...